9

Protocolo IP, Endereçamento e Sub-redes

Introdução9.1

Hoje você vai ver como a Internet identifica redes e hosts, como o IP carrega pacotes entre essas redes e por que sub-redes são indispensáveis para organizar endereços na prática.

Na aula anterior, a camada de rede apareceu como a camada que decide caminhos entre redes. Agora vamos aproximar essa ideia do protocolo mais importante dessa camada. O foco deixa de ser apenas “como escolher uma rota” e passa a ser “como o pacote IP é formado, como o endereço IP é interpretado e como uma rede grande é dividida em partes menores”.

Ideia central

O IP oferece uma forma lógica de endereçar hosts e redes. O IPv4 usa endereços de 32 bits e depende fortemente de prefixos, máscaras e sub-redes. O IPv6 amplia o espaço de endereços para 128 bits e simplifica partes do cabeçalho, mas mantém a ideia de encaminhar pacotes entre redes.

Esta aula usa como base principal o Tanenbaum, seção 5.6, especialmente 5.6.1 a 5.6.3, e o Forouzan, capítulo 19, com apoio pontual do capítulo 22 para entrega e encaminhamento.

O problema que o IP resolve9.2

Imagine um computador dentro de uma LAN Ethernet. Ele tem um endereço MAC e consegue enviar quadros para outros dispositivos no mesmo enlace local. Isso é suficiente enquanto todos estão no mesmo domínio de enlace. Mas a Internet não é uma única Ethernet gigante.

Na prática, a comunicação precisa atravessar várias redes diferentes. Um pacote pode sair de uma rede Wi-Fi, passar por uma Ethernet, atravessar enlaces de operadora e chegar a outra rede completamente diferente. Cada uma dessas redes pode ter tecnologia de enlace própria.

Reflita

Se o endereço MAC identifica uma interface no enlace local, por que ele não basta para entregar dados pela Internet inteira?

O problema é que o MAC não descreve uma posição lógica dentro de uma rede de redes. Ele serve para entrega local no enlace atual. Para sair de uma rede e chegar a outra, precisamos de um endereço que possa ser interpretado por roteadores em escala maior. Esse é o papel do endereço IP.

Em termos simples, o IP faz três coisas importantes.

  1. Define o formato do pacote da camada de rede.
  2. Define endereços lógicos para origem e destino.
  3. Permite que roteadores encaminhem pacotes de uma rede para outra.
Exemplo 1

Seu notebook quer acessar um servidor fora da sua casa.

  1. Dentro da sua LAN, ele envia um quadro Ethernet para o roteador doméstico.
  2. Esse quadro usa endereços MAC para atravessar o enlace local.
  3. Dentro do quadro existe um pacote IP com o endereço IP do servidor como destino.
  4. O roteador remove o quadro local, observa o pacote IP e encaminha o pacote para a próxima rede.

O MAC ajudou no primeiro salto. O IP é o que permite continuar a viagem entre redes.

Erro comum

Não pense no endereço IP como “o MAC da Internet”. O endereço MAC identifica uma interface no enlace local. O endereço IP identifica logicamente uma interface em uma rede IP e permite que roteadores tomem decisões entre redes.

O IPv4 como protocolo de datagramas9.3

O Tanenbaum inicia o estudo da camada de rede da Internet pelo formato do datagrama IPv4. Esse nome é importante. No IPv4, cada pacote é tratado como um datagrama, isto é, uma unidade independente que carrega as informações necessárias para ser encaminhada.

O IPv4 é um protocolo sem conexão e de melhor esforço. Isso significa que ele não estabelece uma conexão antes de enviar os pacotes e também não promete entrega confiável por si só.

O que significa melhor esforço9.3.1

Melhor esforço não significa descuido. Significa que a rede tenta entregar o pacote, mas não garante que ele chegará, nem garante ordem, nem garante ausência de duplicação.

Se a confiabilidade for necessária, outro protocolo acima do IP, como o TCP, deve cuidar disso.

Reflita

Se o IP não garante entrega confiável, por que ele se tornou a base da Internet?

Porque essa simplicidade torna a rede mais flexível. Os roteadores podem encaminhar pacotes rapidamente sem manter estado de conexão para cada comunicação. A confiabilidade, quando necessária, pode ser tratada nas pontas.

Essa separação é uma das ideias mais importantes da arquitetura da Internet. A rede faz encaminhamento simples. As pontas podem adicionar controle, retransmissão e ordenação quando a aplicação precisar.

O cabeçalho IPv49.3.2

Um datagrama IPv4 possui cabeçalho e dados. O cabeçalho mínimo tem 20 bytes, mas pode ser maior se houver opções.

Os campos mais importantes para esta aula são estes.

Campo Ideia principal
Versão Indica que o pacote usa IPv4
IHL Indica o tamanho do cabeçalho
Comprimento total Indica o tamanho do datagrama completo
Identificação, flags e deslocamento Ajudam na fragmentação
TTL Limita quantos saltos o pacote pode atravessar
Protocolo Indica o protocolo transportado, como TCP ou UDP
Checksum do cabeçalho Detecta erros no cabeçalho IPv4
Endereço de origem Endereço IPv4 de quem enviou
Endereço de destino Endereço IPv4 de quem deve receber

Por que o TTL existe9.3.3

O campo TTL, ou Time To Live, evita que pacotes circulem indefinidamente. Apesar do nome sugerir tempo, na prática ele é usado como contador de saltos. Cada roteador decrementa esse valor. Quando ele chega a zero, o pacote é descartado.

Um pacote que sai com TTL igual a 4 pode ser lido assim.

Etapa Valor do TTL
Origem 4
Depois de $R_1$ 3
Depois de $R_2$ 2
Depois de $R_3$ 1
Depois de $R_4$ 0

Ao chegar a zero, o pacote não deve continuar circulando. Isso protege a rede contra loops de roteamento.

Observação

O comando traceroute aproveita justamente esse comportamento do TTL para descobrir os roteadores intermediários até um destino.

Endereços IPv4 como 32 bits9.4

Um endereço IPv4 tem 32 bits. Para facilitar a leitura humana, esses 32 bits são escritos como quatro números decimais separados por pontos. Cada número representa 8 bits, ou seja, um octeto.

Por exemplo, o endereço abaixo é uma forma decimal pontuada.

192.168.1.34

Em binário, ele corresponde a quatro octetos.

$$ 192.168.1.34 = 11000000.10101000.00000001.00100010 $$

Reflita

Se o endereço IPv4 tem 32 bits, como um roteador sabe qual parte identifica a rede e qual parte identifica o host?

Essa é a pergunta central do endereçamento IPv4. Um endereço IP sozinho não basta para separar rede e host. É preciso saber o prefixo ou a máscara.

Prefixo e máscara9.5

O prefixo indica quantos bits à esquerda identificam a rede. A forma mais comum hoje é a notação com barra.

192.168.1.34/24

Esse /24 significa que os 24 primeiros bits identificam a rede. Os 8 bits restantes identificam o host dentro dessa rede.

$$ \underbrace{192.168.1}_{24\ bits\ de\ rede}.\underbrace{34}_{8\ bits\ de\ host} $$

Em forma de máscara decimal pontuada, /24 equivale a:

255.255.255.0

Como ler uma máscara9.5.1

Uma máscara é um padrão de 32 bits no qual os bits 1 indicam a parte de rede e os bits 0 indicam a parte de host.

Para /24, temos:

$$ 11111111.11111111.11111111.00000000 $$

Em decimal:

$$ 255.255.255.0 $$

Exemplo 2

Considere o endereço:

192.168.1.34/24

Como o prefixo é /24, a rede é formada pelos 24 primeiros bits.

Rede: 192.168.1.0/24
Host: 34

O endereço 192.168.1.34 é um host dentro da rede 192.168.1.0/24.

Erro comum

Não conclua que “a rede são sempre os três primeiros números”. Isso só é verdade para prefixos como /24. A separação real depende da máscara ou do prefixo.

Endereçamento com classes e por que ele ficou insuficiente9.6

Historicamente, o IPv4 usou endereçamento com classes. Os endereços eram divididos em classes A, B, C, D e E. Para redes comuns, as classes mais importantes eram A, B e C.

Classe Prefixo padrão Uso conceitual
A /8 Poucas redes muito grandes
B /16 Redes médias
C /24 Muitas redes pequenas

Esse modelo parecia simples, mas gerava desperdício. Uma organização que precisava de alguns milhares de endereços não cabia em uma classe C, mas receber uma classe B poderia entregar endereços demais.

O problema não era apenas técnico. Como o espaço IPv4 tem tamanho limitado, desperdício de blocos significava acelerar o esgotamento de endereços.

CIDR e endereçamento sem classes9.7

Para resolver esse desperdício, a Internet passou a usar CIDR, sigla de Classless Inter-Domain Routing. A ideia é abandonar os tamanhos fixos das classes e permitir prefixos mais flexíveis, como /20, /21, /27 ou /30.

No CIDR, o bloco é descrito pelo endereço inicial e pelo comprimento do prefixo.

192.168.10.0/24
10.40.0.0/20
172.16.8.0/21

O Tanenbaum destaca que o CIDR permite alocar blocos mais ajustados às necessidades reais e também permite agregação de rotas.

CIDRispISP200.10.0.0/20aCliente A200.10.0.0/22isp->abCliente B200.10.4.0/23isp->bcCliente C200.10.6.0/24isp->crotaAnúncio agregado200.10.0.0/20a->rotab->rotac->rota
Observação

CIDR não é apenas uma forma mais bonita de escrever endereços. Ele muda a lógica de alocação e roteamento ao permitir blocos com tamanhos variados.

Sub-redes como divisão interna de uma rede9.8

Agora chegamos ao ponto que costuma causar mais dificuldade. Uma organização pode receber um bloco de endereços e ainda assim precisar dividi-lo internamente.

Imagine uma empresa com um bloco único.

192.168.10.0/24

Se todos os dispositivos ficassem em uma única rede, o gerenciamento seria simples, mas pouco organizado. A empresa talvez tenha setores, laboratórios, servidores e redes de visitantes. Faz sentido separar esses grupos em sub-redes.

Reflita

Se uma organização recebe um bloco único, por que ela não deveria colocar todos os hosts na mesma rede?

Porque redes muito grandes aumentam broadcast, dificultam administração, reduzem isolamento e tornam políticas de segurança mais difíceis. Sub-redes criam divisões lógicas menores dentro de um bloco maior.

A ideia matemática da sub-rede9.8.1

Quando criamos sub-redes, pegamos alguns bits que antes pertenciam à parte de host e passamos a usá-los como parte do prefixo de sub-rede.

Em uma rede /24, existem 8 bits de host.

$$ 32 - 24 = 8 $$

Se transformarmos essa rede em quatro sub-redes, precisamos de 2 bits para identificar as sub-redes.

$$ 2^2 = 4 $$

O novo prefixo passa a ser:

$$ /24 + 2 = /26 $$

Cada sub-rede /26 tem 6 bits para hosts.

$$ 32 - 26 = 6 $$

Logo, cada sub-rede tem:

$$ 2^6 = 64\ endereços $$

Em IPv4 tradicional, dois endereços costumam ser reservados dentro de cada sub-rede, o endereço da própria rede e o endereço de broadcast. Assim, sobram 62 endereços utilizáveis para hosts.

$$ 64 - 2 = 62 $$

Exemplo 3

Divida a rede abaixo em 4 sub-redes de mesmo tamanho.

192.168.10.0/24

Como queremos 4 sub-redes, precisamos de 2 bits.

$$ 2^2 = 4 $$

O prefixo novo será /26.

Cada bloco terá 64 endereços. As sub-redes ficam assim.

Sub-rede Intervalo de endereços Broadcast
192.168.10.0/26 192.168.10.0 a 192.168.10.63 192.168.10.63
192.168.10.64/26 192.168.10.64 a 192.168.10.127 192.168.10.127
192.168.10.128/26 192.168.10.128 a 192.168.10.191 192.168.10.191
192.168.10.192/26 192.168.10.192 a 192.168.10.255 192.168.10.255

Os hosts utilizáveis ficam entre o endereço da rede e o broadcast de cada sub-rede.

Agora observe um host dentro desse novo particionamento.

192.168.10.77/26

Qual é a sub-rede dele?

Com /26, o tamanho do bloco no último octeto é 64. Os blocos começam em:

0, 64, 128, 192

O número 77 cai no intervalo de 64 a 127. Portanto:

Sub-rede: 192.168.10.64/26
Broadcast: 192.168.10.127
Hosts utilizáveis: 192.168.10.65 a 192.168.10.126

Esse exemplo mostra que descobrir a sub-rede é descobrir em qual bloco o endereço cai.

Máscaras comuns em sub-redes9.8.2

Esta tabela ajuda a fazer contas rápidas em redes IPv4 dentro de um /24.

Prefixo Máscara Tamanho do bloco Hosts utilizáveis por sub-rede
/25 255.255.255.128 128 126
/26 255.255.255.192 64 62
/27 255.255.255.224 32 30
/28 255.255.255.240 16 14
/29 255.255.255.248 8 6
/30 255.255.255.252 4 2
Cuidado conceitual

A máscara maior não significa rede maior. Um prefixo maior usa mais bits para a rede e deixa menos bits para hosts. Por isso, /28 cria blocos menores do que /24.

Hierarquia de endereços9.9

O Forouzan explica a divisão em sub-redes como uma hierarquia. Sem sub-redes, há dois níveis principais.

  1. Prefixo de rede.
  2. Identificador de host.

Com sub-redes, passamos a ter três níveis.

  1. Prefixo da rede da organização.
  2. Prefixo da sub-rede.
  3. Identificador do host.
HierarquiaIPv4enderecoEndereço IPv4redePrefixo da rededa organizaçãoendereco->redesubredePrefixo da sub-redeendereco->subredehostIdentificador do hostendereco->host

Essa hierarquia é o que permite ao mundo externo enxergar a organização como um bloco agregado, enquanto a organização distribui internamente esse bloco em redes menores.

Encaminhamento e correspondência pelo prefixo mais longo9.10

Na aula anterior, você viu a diferença entre roteamento e encaminhamento. Agora podemos conectar essa ideia ao endereçamento.

Quando um roteador recebe um pacote, ele olha o endereço IP de destino e consulta sua tabela de roteamento. Cada entrada da tabela descreve um prefixo e uma saída.

O roteador deve escolher a entrada mais específica que combina com o destino. Essa regra é conhecida como correspondência pelo prefixo mais longo.

PrefixoMaisLongodestinoDestino10.20.30.45p810.0.0.0/8combinadestino->p8p1610.20.0.0/16combinadestino->p16p2410.20.30.0/24combina e é mais específicodestino->p24saidaEscolhainterface Cp24->saida
Reflita

Se duas rotas combinam com o mesmo destino, por que escolher a rota com prefixo mais longo?

Porque o prefixo mais longo é mais específico. Ele descreve um bloco menor e, portanto, normalmente representa uma informação mais precisa sobre onde aquele destino está.

Exemplo 4

Um roteador possui as entradas abaixo.

Prefixo Saída
10.0.0.0/8 interface A
10.20.0.0/16 interface B
10.20.30.0/24 interface C

Chega um pacote para:

10.20.30.45

Esse destino combina com as três entradas. A melhor escolha é 10.20.30.0/24, porque /24 é o prefixo mais longo e mais específico. O pacote sai pela interface C.

NAT como resposta parcial ao esgotamento IPv49.11

O espaço IPv4 tem cerca de $2^{32}$ endereços. Isso parecia enorme no início da Internet, mas se tornou pequeno diante do crescimento de hosts, celulares, servidores, redes domésticas e dispositivos conectados.

Uma das soluções práticas para prolongar a vida do IPv4 foi o NAT, ou Network Address Translation.

NAThost1Host interno192.168.1.34natRoteador NATprivado -> públicohost1->nathost2Host interno192.168.1.35host2->natinternetInternetvê o IP públiconat->internetendereço públicoserverServidor externointernet->server

Com NAT, uma rede privada usa endereços internos que não são roteáveis globalmente. O roteador NAT troca os endereços privados por um endereço público ao enviar pacotes para a Internet.

Faixas privadas comuns em IPv4 incluem:

Bloco privado Uso típico
10.0.0.0/8 Redes privadas grandes
172.16.0.0/12 Redes privadas intermediárias
192.168.0.0/16 Redes domésticas e pequenas redes
Exemplo 5

Dentro de casa, seu computador pode ter o endereço:

192.168.1.34

Esse endereço não é usado diretamente na Internet global. Quando você acessa um site, o roteador doméstico substitui o endereço de origem privado pelo endereço público recebido do provedor. Quando a resposta volta, o roteador usa sua tabela de tradução para entregar a resposta ao host interno correto.

Cuidado conceitual

NAT ajuda a economizar endereços IPv4, mas não é a mesma coisa que sub-rede. Sub-rede organiza um bloco em redes menores. NAT traduz endereços entre uma rede privada e o exterior.

IPv6 e a mudança de escala9.12

O IPv6 surgiu como resposta de longo prazo ao esgotamento do IPv4. A diferença mais visível é o tamanho do endereço.

Versão Tamanho do endereço Forma comum de escrita
IPv4 32 bits decimal pontuada
IPv6 128 bits hexadecimal com dois-pontos

Um endereço IPv6 é escrito em grupos hexadecimais separados por dois-pontos.

2001:0db8:0000:0000:0000:ff00:0042:8329

Ele pode ser abreviado removendo zeros à esquerda e comprimindo uma sequência de grupos zero.

2001:db8::ff00:42:8329

O cabeçalho IPv69.12.1

O IPv6 também altera o cabeçalho. O cabeçalho principal tem tamanho fixo de 40 bytes e foi projetado para ser processado de forma mais simples pelos roteadores. Alguns campos do IPv4 foram removidos ou movidos para cabeçalhos de extensão.

Comparando com IPv4, alguns pontos merecem atenção.

Aspecto IPv4 IPv6
Tamanho do endereço 32 bits 128 bits
Checksum no cabeçalho Existe Removido do cabeçalho base
Fragmentação por roteadores Pode ocorrer Não ocorre no roteador, apenas na origem
Opções Dentro do cabeçalho variável Cabeçalhos de extensão
Broadcast Existe Substituído por outros mecanismos, como multicast

Considere estes dois endereços.

192.168.1.10
2001:db8:acad:1::10

O primeiro é IPv4 e tem 32 bits. O segundo é IPv6 e tem 128 bits. A diferença não é apenas estética. O IPv6 oferece um espaço de endereçamento muito maior, o que reduz a dependência de soluções como NAT para economizar endereços.

Um endereço IPv6 pode ter uma parte de rede e uma parte de interface. Em muitas redes, é comum ver prefixos como:

2001:db8:acad:1::/64

Isso significa que os 64 primeiros bits identificam o prefixo da rede. Os 64 bits restantes identificam a interface dentro daquela rede.

Mesmo que os números pareçam maiores, a ideia de prefixo continua sendo fundamental.

Transição entre IPv4 e IPv69.13

O IPv6 não substituiu o IPv4 de uma vez. A Internet é grande demais para uma troca instantânea. Por isso, a transição usa estratégias graduais.

As três ideias mais importantes são estas.

Estratégia Ideia
Pilha dupla O host suporta IPv4 e IPv6 ao mesmo tempo
Tunelamento Um pacote IPv6 atravessa uma região IPv4 encapsulado
Tradução Cabeçalhos ou endereços são traduzidos entre versões
TransicaoIPv6ipv6aRede IPv6r1Roteadorpilha duplaipv6a->r1ipv4Região IPv4pacote IPv6 encapsulador1->ipv4túnelr2Roteadorpilha duplaipv4->r2túnelipv6bRede IPv6r2->ipv6b
Observação

A coexistência entre IPv4 e IPv6 é uma realidade prática. Você pode encontrar máquinas, provedores e serviços usando as duas versões simultaneamente.

Fechando a ideia9.14

O IP é a peça que torna possível interligar redes diferentes em uma Internet. O IPv4 organiza essa entrega com datagramas, endereços de 32 bits, prefixos, máscaras e sub-redes. Sub-redes tornam a administração viável ao dividir blocos em partes menores. O IPv6 amplia o espaço de endereços e reorganiza o cabeçalho, mas preserva a ideia central de encaminhar pacotes entre redes por meio de endereços lógicos.

Conclusão prática

Para entender redes IP, você precisa ler um endereço junto com seu prefixo. Sem a máscara, um IPv4 é só um número. Com a máscara, ele revela rede, sub-rede, intervalo de hosts e a forma como os roteadores podem encaminhar pacotes.

Questões9.15

1. Explique por que o endereço MAC não é suficiente para a comunicação entre redes diferentes.

2. O que significa dizer que o IPv4 é um protocolo sem conexão e de melhor esforço?

3. Cite três campos importantes do cabeçalho IPv4 e explique a função de cada um.

4. Para que serve o campo TTL no IPv4?

5. Converta a ideia abaixo para uma frase explicativa: 192.168.1.34/24.

6. Qual é a diferença entre endereço IP, prefixo e máscara?

7. Por que o endereçamento com classes se tornou insuficiente?

8. O que o CIDR acrescentou ao endereçamento IPv4?

9. Explique, com suas palavras, o que é uma sub-rede.

10. Divida a rede 192.168.20.0/24 em 4 sub-redes de mesmo tamanho. Informe o prefixo novo e os endereços das sub-redes.

11. Um host possui o endereço 192.168.20.130/26. Qual é a sub-rede dele e qual é o broadcast dessa sub-rede?

12. Explique por que /28 representa blocos menores do que /24.

13. O que significa correspondência pelo prefixo mais longo em uma tabela de roteamento?

14. Um roteador tem as rotas 172.16.0.0/12, 172.16.40.0/24 e 0.0.0.0/0. Para qual prefixo ele deve encaminhar um pacote destinado a 172.16.40.55?

15. Diferencie sub-rede e NAT.

16. Cite duas diferenças importantes entre IPv4 e IPv6.

17. O que é pilha dupla na transição de IPv4 para IPv6?

18. Marque V ou F.

  • ( ) O endereço IPv4 tem 32 bits.
  • ( ) A máscara /24 sempre deixa 24 bits para hosts.
  • ( ) O prefixo mais longo é escolhido porque é mais específico.
  • ( ) O IPv6 tem endereços menores que o IPv4, mas cabeçalho maior.
  • ( ) NAT e sub-rede são exatamente o mesmo mecanismo.
Gabarito

1. Porque o MAC resolve a entrega local no enlace atual. Para atravessar redes diferentes, é necessário um endereço lógico que os roteadores consigam interpretar em escala de rede.

2. Significa que o IPv4 não estabelece uma conexão antes do envio e não garante, sozinho, entrega, ordem ou confiabilidade. Ele tenta encaminhar os datagramas da melhor forma possível.

3. Exemplos possíveis: TTL limita a quantidade de saltos; protocolo indica o conteúdo transportado, como TCP ou UDP; endereço de destino indica para onde o pacote deve ir; checksum verifica erros no cabeçalho.

4. Serve para impedir que pacotes circulem indefinidamente. Cada roteador decrementa o TTL e descarta o pacote quando o valor chega a zero.

5. É o endereço IPv4 192.168.1.34 dentro de uma rede cujo prefixo tem 24 bits, normalmente a rede 192.168.1.0/24.

6. O endereço IP identifica logicamente uma interface. O prefixo indica quantos bits pertencem à rede. A máscara é a forma binária ou decimal que separa bits de rede e bits de host.

7. Porque as classes tinham tamanhos fixos e frequentemente desperdiçavam endereços, acelerando o esgotamento do IPv4.

8. O CIDR permitiu prefixos flexíveis, sem depender dos tamanhos fixos das classes, além de facilitar alocação mais ajustada e agregação de rotas.

9. É uma divisão lógica menor criada dentro de um bloco de endereços maior, usando um prefixo mais específico.

10. Para 4 sub-redes, usamos 2 bits adicionais. O prefixo novo é /26. As sub-redes são 192.168.20.0/26, 192.168.20.64/26, 192.168.20.128/26 e 192.168.20.192/26.

11. Com /26, os blocos têm tamanho 64. O endereço 130 cai no intervalo 128 a 191. A sub-rede é 192.168.20.128/26 e o broadcast é 192.168.20.191.

12. Porque /28 usa mais bits para identificar a rede e deixa menos bits para hosts. Por isso, cada bloco tem menos endereços.

13. Significa escolher, entre todas as rotas que combinam com o destino, aquela com o maior comprimento de prefixo.

14. Deve usar 172.16.40.0/24, porque é a rota mais específica entre as que combinam com o destino.

15. Sub-rede divide um bloco de endereços em redes menores. NAT traduz endereços, normalmente entre uma rede privada e a Internet pública.

16. IPv4 usa endereços de 32 bits e IPv6 usa 128 bits. IPv6 remove o checksum do cabeçalho base e usa cabeçalhos de extensão para funcionalidades opcionais.

17. É a estratégia em que um host ou roteador executa IPv4 e IPv6 ao mesmo tempo durante o período de transição.

18.

  • ( V ) O endereço IPv4 tem 32 bits.
  • ( F ) A máscara /24 sempre deixa 24 bits para hosts.
  • ( V ) O prefixo mais longo é escolhido porque é mais específico.
  • ( F ) O IPv6 tem endereços menores que o IPv4, mas cabeçalho maior.
  • ( F ) NAT e sub-rede são exatamente o mesmo mecanismo.

Próximos passos9.16

Na próxima aula, o passo natural é conectar endereçamento IP com os protocolos auxiliares que fazem a rede funcionar no cotidiano.

Você verá como ARP, ICMP e DHCP ajudam hosts e roteadores a descobrir vizinhos, diagnosticar problemas e obter configuração de rede automaticamente.