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Revisão - Números Complexos

Introdução2.1

Os conceitos discutidos neste capítulo podem não ser inteiramente inéditos para você. É provável que já tenha explorado grande parte desses temas em disciplinas anteriores ou através de treinamentos técnicos. No entanto, este conteúdo fundamental exige uma revisão cuidadosa devido à sua importância crítica na área de sinais e sistemas. Você perceberá que dedicar tempo a essa consolidação teórica trará excelentes resultados ao longo do seu aprendizado. Além de ser essencial para este capítulo, o domínio deste material servirá de base para diversas outras disciplinas e será um recurso valioso para consulta em sua futura carreira profissional.

Números Complexos2.2

Os números complexos representam uma expansão dos números convencionais e constituem uma parte essencial do sistema numérico moderno. Frequentemente, os números complexos, e em especial os números imaginários, podem parecer envoltos em um certo mistério ou soar como algo "irreal" para quem inicia seus estudos. É importante que você perceba que essa sensação de irrealidade deriva muito mais da falta de familiaridade e da novidade do conceito do que de uma suposta inexistência desses números no mundo prático.

Historicamente, a escolha do termo imaginário por parte dos matemáticos acabou por prejudicar a percepção pública sobre o tema. Caso tivessem recebido qualquer outra nomenclatura, esses números provavelmente teriam sido desmistificados há muito tempo, seguindo o mesmo caminho de aceitação que percorreram os números irracionais ou os números negativos. No entanto, você não deve se preocupar com essa terminologia, pois, na matemática, podemos atribuir aos símbolos e às operações o significado que desejarmos, desde que a consistência interna do sistema seja rigorosamente preservada. A história da matemática demonstra que diversas entidades que inicialmente causavam estranheza ou desconforto tornaram-se perfeitamente aceitáveis através do uso contínuo, fato que ficará mais evidente na nota histórica a seguir.

Nota Histórica2.2.1

A evolução do sistema numérico reflete as necessidades mutáveis da humanidade ao longo dos séculos. Em tempos remotos, o sistema era composto apenas pelos números naturais (inteiros positivos), ferramentas básicas para a contagem de elementos discretos, como crianças, animais ou flechas. Naquele contexto, a ideia de frações seria descabida; afinal, não se falava em "duas crianças e meia" ou "três quartos de vaca".

Com o desenvolvimento da agricultura, surgiu a necessidade de medir grandezas contínuas, como a área de terrenos ou o peso de mantimentos, o que levou à expansão do sistema para incluir as frações. Embora egípcios e babilônios já operassem com frações, foi Pitágoras quem descobriu os números irracionais ao notar que certas medidas, como a diagonal de um quadrado unitário, não podiam ser expressas como inteiros ou frações. Sendo um místico que via nos números a essência do universo, Pitágoras ficou tão perturbado com essa descoberta que impôs sigilo absoluto aos seus seguidores sob pena de morte. Esses valores só foram plenamente integrados ao sistema numérico, como números irracionais, por volta da época de Descartes.

A aceitação dos números negativos também foi um processo lento e, inicialmente, visto como um absurdo. Embora hindus medievais, como Bhaskar (1114–1185), já compreendessem e utilizassem regras para quantidades negativas em seus trabalhos de álgebra e aritmética, foi na Europa do século XV que o conceito ganhou contornos práticos. Os banqueiros de Florença e Veneza tornaram a subtração de $7$ de $5$ algo razoável ao permitir que clientes retirassem mais ouro do que possuíam em conta, registrando a diferença de $2$ na coluna de débito do livro contábil.

Essa generalização permitiu resolver equações antes impossíveis, como $x + 5 = 0$. No entanto, equações como $x^2 + 1 = 0$, que resultam em $x^2 = -1$, permaneciam sem solução no sistema real. Surgiu, então, a necessidade de definir um novo tipo de número, cujo quadrado fosse igual a $-1$. Na época de Descartes e Newton, esses números imaginários já eram aceitos, embora ainda vistos como uma "ficção algébrica".

Em 1777, Leonhard Euler introduziu a letra $i$ para representar $\sqrt{-1}$. Para você que estuda engenharia elétrica, é importante notar que utilizamos a notação $j$ no lugar de $i$ para evitar qualquer confusão com o símbolo da corrente elétrica. Assim, estabelecemos que:

$j^2 = -1$ e $\sqrt{-1} = \pm j$

Essa convenção permite que você determine a raiz quadrada de qualquer número negativo. Por exemplo:

$$\sqrt{-4} = \sqrt{4} \times \sqrt{-1} = \pm 2j$$

Quando você inclui esses números imaginários no sistema numérico, o conjunto resultante é o que chamamos de números complexos.

Contrariamente à crença popular, a aceitação dos números imaginários pelos matemáticos não surgiu da necessidade de resolver equações quadráticas simples, como $x^2 + 1 = 0$, mas sim do desafio de encontrar raízes reais em equações cúbicas.

Em 1545, Gerolamo Cardano publicou a obra Ars Magna, considerada o trabalho algébrico mais importante da Renascença. Em seu livro, ele propôs um método para resolver equações cúbicas reduzidas da forma: $$x^3 + ax + b = 0$$

A solução para essa equação de terceira ordem é dada pela fórmula: $$x = \sqrt[3]{-\frac{b}{2} + \sqrt{\frac{b^2}{4} + \frac{a^3}{27}}} + \sqrt[3]{-\frac{b}{2} - \sqrt{\frac{b^2}{4} + \frac{a^3}{27}}}$$

  • Exemplo: Para a equação $x^3 + 6x - 20 = 0$, substituímos $a = 6$ e $b = -20$, o que resulta em $x = 2$, uma solução real facilmente verificável.
  • O impasse: Ao tentar resolver $x^3 - 15x - 4 = 0$, a fórmula de Cardano resultou em: $$x = \sqrt[3]{2 + \sqrt{-121}} + \sqrt[3]{2 - \sqrt{-121}}$$ Naquela época, a raiz quadrada de um número negativo era vista como um absurdo, levando Cardano a descartar a tentativa como "tão obscura quanto sem sentido".

Raphael Bombelli propôs aceitar os números imaginários como um veículo necessário para transportar os matemáticos da equação cúbica real até sua solução real.

  • Resolução moderna: Atualmente, sabemos que $(2 \pm j)^3 = 2 \pm j11 = 2 \pm \sqrt{-121}$.
  • Resultado real: Utilizando esse conceito, a fórmula de Cardano resulta em $x = (2 + j) + (2 - j) = 4$, que é a solução real correta para a equação.

Em 1799, Karl Friedrich Gauss provou o Teorema Fundamental da Álgebra, demonstrando que toda equação de $n$-ésima ordem possui exatamente $n$ soluções (raízes) na forma de números complexos. Foi Gauss quem cunhou o termo "números complexos" e os interpretou como pontos no plano complexo.

A utilidade dos números complexos pode ser compreendida através da analogia de dois países vizinhos, $X$ e $Y$, apresentada na figura abaixo:

Se você desejar viajar entre duas cidades no país $X$ (representando os números reais), o caminho mais curto pode ser através do país $Y$ (representando os números complexos), mesmo que a jornada comece e termine no território original. Embora seja possível resolver problemas do mundo real usando apenas números reais, o uso de números complexos como intermediário simplifica consideravelmente o trabalho e o processo de obtenção dos resultados.

Álgebra de Números Complexos2.2.2

O número complexo, representado por $(a, b)$ ou $a + jb$, pode ser visualizado graficamente como um ponto cujas coordenadas cartesianas são $(a, b)$ em um plano complexo. Vamos denominar esse número complexo como $z$, de modo que:

$$z = a + jb$$

Nesta estrutura, os números $a$ e $b$ (a abscissa e a ordenada) de $z$ representam a parte real e a parte imaginária, respectivamente. Você também pode expressá-los da seguinte forma:

  • Parte Real: $Re\ z = a$.
  • Parte Imaginária: $Im\ z = b$.

É fundamental que você observe que, neste plano, todos os números reais estão situados no eixo horizontal, enquanto todos os números imaginários permanecem no eixo vertical.

Representação em Coordenadas Polares2.2.2.1

Além da forma cartesiana, os números complexos podem ser expressos em termos de coordenadas polares $(r, \theta)$. Se considerarmos um ponto $z = a + jb$ no plano, conforme ilustrado na imagem abaixo, temos as relações:

$$a = r \cos \theta$$ $$b = r \sin \theta$$

Dessa forma, o número $z$ pode ser reescrito como:

$$z = a + jb = r \cos \theta + jr \sin \theta$$ $$z = r(\cos \theta + j \sin \theta)$$

A fórmula de Euler é uma das identidades mais poderosas da matemática e afirma que $e^{j\theta} = \cos \theta + j \sin \theta$. Portanto, concluímos que $e^{j\theta} = \cos \theta + j \sin \theta$. Ao aplicar esse resultado na definição de $z$, chegamos à forma exponencial (ou polar):

$$z = re^{j\theta}$$

Conversão e Propriedades2.2.2.2

Como vimos, você pode expressar um número complexo tanto na forma cartesiana ($a + jb$) quanto na forma polar ($re^{j\theta}$). As fórmulas para a conversão de parâmetros são:

$$r = \sqrt{a^2 + b^2}$$ $$\theta = \tan^{-1} \left( \frac{b}{a} \right)$$

Nesse contexto, o parâmetro $r$ representa a distância do ponto $z$ até a origem, sendo chamado de módulo (ou valor absoluto) de $z$, denotado por $|z|$. De modo semelhante, $\theta$ é o ângulo (ou fase) de $z$, representado por $\angle z$.

$$|z| = r, \quad \angle z = \theta$$ $$z = |z|e^{j \angle z}$$

Finalmente, é útil lembrar que o inverso de um número complexo na forma polar é simplificado conforme a relação abaixo:

$$\frac{1}{z} = \frac{1}{re^{j\theta}} = \frac{1}{r}e^{-j\theta} = \frac{1}{|z|}e^{-j \angle z}$$

Exemplo B.12.2.2.3

A matemática tem suas pegadinhas, especialmente quando confiamos cegamente na calculadora sem olhar para onde o ponto está no plano complexo. Determine os seguintes números na forma polar:

  • (a) $2 + j3$
Módulo: $$|z| = \sqrt{2^2 + 3^2} = \sqrt{13}$$
Ângulo: $$\angle z = \tan^{-1} \left( \frac{3}{2} \right) = 56,3^\circ$$

O ponto está no primeiro quadrante (veja a Figura B.4a), então a calculadora fornece o valor correto diretamente.

$$\boxed{2 + j3 = \sqrt{13} e^{j56,3^\circ}}$$
  • (b) $-2 + j1$
Módulo: $$|z| = \sqrt{(-2)^2 + 1^2} = \sqrt{5}$$
Ângulo: $$\angle z = \tan^{-1} \left( \frac{1}{-2} \right) = 153,4^\circ$$

O ponto está no segundo quadrante (veja a Figura B.4b). Note que a calculadora retornaria $-26,6^\circ$, que está deslocada em $180^\circ$. Você deve ajustar o valor para $(-26,6 + 180)^\circ = 153,4^\circ$.

$$\boxed{-2 + j1 = \sqrt{5} e^{j153,4^\circ}}$$
  • (c) $-2 - j3$
Módulo: $$|z| = \sqrt{(-2)^2 + (-3)^2} = \sqrt{13}$$
Ângulo: $$\angle z = \tan^{-1} \left( \frac{-3}{-2} \right) = -123,7^\circ$$

O ponto está no terceiro quadrante (veja a Figura B.4c). A calculadora forneceria $56,3^\circ$, deslocada em $180^\circ$. Para obter o valor principal, você deve subtrair $180^\circ$, resultando em $-123,7^\circ$.

$$\boxed{-2 - j3 = \sqrt{13} e^{-j123,7^\circ}}$$
  • (d) $1 - j3$
Módulo: $$|z| = \sqrt{1^2 + (-3)^2} = \sqrt{10}$$
Ângulo: $$\angle z = \tan^{-1} \left( \frac{-3}{1} \right) = -71,6^\circ$$

O ponto está no quarto quadrante (veja a Figura B.4d). Nesse caso, a calculadora já fornece o valor correto de $-71,6^\circ$ diretamente.

$$\boxed{1 - j3 = \sqrt{10} e^{-j71,6^\circ}}$$
Valor Principal

Em engenharia, você deve sempre preferir o valor principal de um ângulo, que é aquele cujo valor numérico é menor do que $180^\circ$.

Exemplo B.22.2.2.4

Neste exercício, você deve realizar o processo inverso ao anterior: partindo da forma polar, seu objetivo é representar cada número complexo no plano e convertê-los para a forma cartesiana. Para isso, utilize a fórmula de Euler para realizar as expansões trigonométricas necessárias.


  • (a) $2e^{j\pi/3}$
Para converter este número, aplicamos a expansão trigonométrica e identificamos os valores de seno e cosseno para o ângulo de $\pi/3$:
$$\boxed{2e^{j\pi/3} = 2(\cos \pi/3 + j \sin \pi/3) = 1 + j\sqrt{3}}$$

Como você pode observar na Figura B.5a, o ponto está localizado no primeiro quadrante com módulo 2.

  • (b) $4e^{-j3\pi/4}$
Neste caso, o ângulo negativo nos posiciona no terceiro quadrante. Note que o módulo do vetor é 4, resultando em componentes reais e imaginárias negativas:
$$\boxed{4e^{-j3\pi/4} = 4(\cos 3\pi/4 - j \sin 3\pi/4) = -2\sqrt{2} - j2\sqrt{2}}$$

A representação gráfica na Figura B.5b confirma a direção do vetor e a simetria de suas coordenadas.

  • (c) $2e^{j\pi/2}$
Um ângulo de $\pi/2$ indica que o número é puramente imaginário, situando-se exatamente sobre o eixo vertical positivo:
$$\boxed{2e^{j\pi/2} = 2(\cos \pi/2 + j \sin \pi/2) = 2(0 + j1) = j2}$$

A Figura B.5c ilustra o vetor apontando diretamente para cima no eixo imaginário, sem componente real.

  • (d) $3e^{-j3\pi}$
Aqui, o ângulo de $-3\pi$ é equivalente a um ângulo de $\pi$, o que posiciona o número sobre o eixo real negativo, mantendo o módulo 3:
$$\boxed{3e^{-j3\pi} = 3(\cos 3\pi - j \sin 3\pi) = 3(-1 + j0) = -3}$$

Observe na Figura B.5d como o vetor realiza uma volta e meia no sentido horário para terminar no lado esquerdo do plano.

  • (e) $2e^{j4\pi}$
Um ângulo de $4\pi$ representa duas voltas completas no sentido anti-horário, retornando o vetor ao eixo real positivo:
$$\boxed{2e^{j4\pi} = 2(\cos 4\pi + j \sin 4\pi) = 2(1 + j0) = 2}$$

Conforme mostrado na Figura B.5e, o resultado final é um número puramente real e positivo com módulo 2.

  • (f) $2e^{-j4\pi}$
De forma análoga ao item anterior, o ângulo de $-4\pi$ também completa duas voltas, mas no sentido horário, terminando na mesma posição:
$$\boxed{2e^{-j4\pi} = 2(\cos 4\pi - j \sin 4\pi) = 2(1 - j0) = 2}$$

A Figura B.5f demonstra que o sentido da rotação não altera a posição final de repouso neste caso específico.

Operações Aritméticas, Potenciação e Radiciação de Números Complexos2.2.2.5

Para que você possa executar a adição e a subtração de forma eficiente, é essencial que os números complexos estejam expressos na forma Cartesiana. Se você tentar realizar essas operações diretamente na forma polar, encontrará uma complexidade matemática desnecessária. Considere, como base para os nossos cálculos, os seguintes números:

$$z_1 = 3 + j4 = 5e^{j53,1^\circ}$$
$$z_2 = 2 + j3 = \sqrt{13}e^{j56,3^\circ}$$

Para realizar a soma ou a subtração, você deve operar com os componentes reais e imaginários de forma independente:

$$\boxed{z_1 + z_2 = (3 + j4) + (2 + j3) = 5 + j7}$$

Conversão Obrigatória

Caso os números estejam originalmente na forma polar, você será obrigado a convertê-los para a forma Cartesiana antes de realizar qualquer operação de soma ou subtração.


Multiplicação, Divisão e Potenciação2.2.2.5.1

Diferente da soma, as operações de multiplicação e divisão podem ser efetuadas em ambos os formatos, embora a forma polar seja consideravelmente mais conveniente e rápida para o seu trabalho. Se definirmos $z_1 = r_1 e^{j\theta_1}$ e $z_2 = r_2 e^{j\theta_2}$, as regras são as seguintes:

  • Multiplicação: Você deve multiplicar os módulos e somar os ângulos. $$\boxed{z_1 z_2 = r_1 r_2 e^{j(\theta_1 + \theta_2)}}$$

  • Divisão: Você deve dividir os módulos e subtrair o ângulo do denominador do ângulo do numerador. $$\boxed{\frac{z_1}{z_2} = \frac{r_1}{r_2} e^{j(\theta_1 - \theta_2)}}$$

  • Potenciação: Basta elevar o módulo à potência desejada e multiplicar o ângulo pelo expoente. $$\boxed{z^n = r^n e^{jn\theta}}$$

  • Radiciação: Para a radiciação, a forma polar também é simplificada: $$\boxed{z^{1/n} = r^{1/n} e^{j\theta/n}}$$

No entanto, você deve ter em mente que existem exatamente $n$ valores distintos para a raiz $n$-ésima de um número complexo. Para encontrar todas essas raízes, utilizamos a periodicidade do ângulo adicionando múltiplos de $2\pi$:

$$\boxed{z^{1/n} = r^{1/n} e^{j(\theta + 2\pi k)/n}}, \quad k = 0, 1, 2, \dots, n-1$$

O resultado obtido quando $k = 0$ é chamado de valor principal da raiz.


Exemplo B.32.2.2.6

Neste exemplo, vamos comparar a execução da multiplicação e da divisão nas duas formas para que você perceba a praticidade da representação polar. Utilizaremos os mesmos valores de $z_1$ e $z_2$ definidos anteriormente.

$$z_1 = 3 + j4 = 5e^{j53,1^\circ}$$ $$z_2 = 2 + j3 = \sqrt{13}e^{j56,3^\circ}$$

  • Operação de Multiplicação
Na forma Cartesiana, precisamos realizar a distribuição dos termos e lembrar que $j^2 = -1$: $$\boxed{z_1 z_2 = (3 + j4)(2 + j3) = (6 - 12) + j(8 + 9) = -6 + j17}$$

Já na forma polar, o processo é direto através da manipulação de módulos e ângulos: $$\boxed{z_1 z_2 = (5e^{j53,1^\circ})(\sqrt{13}e^{j56,3^\circ}) = 5\sqrt{13}e^{j109,4^\circ}}$$

  • Operação de Divisão
Na forma Cartesiana, a divisão exige que você multiplique o numerador e o denominador pelo conjugado do denominador para eliminar a parte imaginária do divisor:

$$\boxed{\frac{z_1}{z_2} = \frac{(3 + j4)(2 - j3)}{(2 + j3)(2 - j3)} = \frac{18 - j1}{13} = \frac{18}{13} - j\frac{1}{13}}$$

Na forma polar, a operação é resolvida em um único passo: $$\boxed{\frac{z_1}{z_2} = \frac{5}{\sqrt{13}}e^{j(53,1^\circ - 56,3^\circ)} = \frac{5}{\sqrt{13}}e^{-j3,2^\circ}}$$

Exemplo B.42.2.2.7

Para os números $z_1 = 2e^{j\pi/4}$ e $z_2 = 8e^{j\pi/3}$, você deve determinar os resultados das operações solicitadas. Observe que utilizaremos a forma que for mais conveniente para cada caso.

  • (a) Operação de Subtração: $2z_1 - z_2$
Como a subtração não pode ser executada diretamente na forma polar, você deve primeiro converter $z_1$ e $z_2$ para a forma Cartesiana:

$$z_1 = 2(\cos \pi/4 + j \sin \pi/4) = \sqrt{2} + j\sqrt{2}$$ $$z_2 = 8(\cos \pi/3 + j \sin \pi/3) = 4 + j4\sqrt{3}$$

Agora, realize a operação subtraindo as partes reais e imaginárias: $$\boxed{2z_1 - z_2 = 2(\sqrt{2} + j\sqrt{2}) - (4 + j4\sqrt{3}) \approx -1,17 - j4,1}$$

  • (b) Operação de Inversão: $1/z_1$
Na forma polar, esta operação é imediata: $$\boxed{\frac{1}{z_1} = \frac{1}{2e^{j\pi/4}} = \frac{1}{2}e^{-j\pi/4}}$$
  • (c) Divisão com Potência: $z_1/z_2^2$
Primeiro, eleve $z_2$ ao quadrado na forma polar e, em seguida, realize a divisão: $$\frac{z_1}{z_2^2} = \frac{2e^{j\pi/4}}{(8e^{j\pi/3})^2} = \frac{2e^{j\pi/4}}{64e^{j2\pi/3}}$$ $$\boxed{\frac{z_1}{z_2^2} = \frac{1}{32}e^{j(\pi/4 - 2\pi/3)} = \frac{1}{32}e^{-j5\pi/12}}$$
  • (d) Radiciação: $\sqrt[3]{z_2}$
Existem três raízes cúbicas para $8e^{j\pi/3}$. Você as encontra utilizando a fórmula generalizada para $k = 0, 1, 2$:
$$\sqrt[3]{z_2} = [8e^{j(\pi/3 + 2\pi k)}]^{1/3}$$ As raízes são: $$\boxed{2e^{j\pi/9}, \quad 2e^{j7\pi/9}, \quad 2e^{j13\pi/9}}$$
O valor principal (correspondente a $k=0$) é: $$\boxed{2e^{j\pi/9}}$$

Exemplo B.52.2.2.8

Neste último exemplo deste capítulo, você deve analisar a função complexa $X(\omega)$, que depende de uma variável real $\omega$. O seu objetivo é extrair as representações fundamentais dessa função, tanto na forma Cartesiana quanto na polar. Esse tipo de manipulação é rotineiro em análises de resposta em frequência em sistemas lineares.

Considere a função: $$X(\omega) = \frac{2 + j\omega}{3 + j4\omega}$$


  • (a) Determinação da forma Cartesiana e partes real e imaginária
Para que você possa isolar as partes real e imaginária, o primeiro passo é eliminar o termo complexo do denominador. Para isso, multiplique o numerador e o denominador pelo conjugado do denominador, que é $(3 - j4\omega)$:

$$X(\omega) = \frac{(2 + j\omega)(3 - j4\omega)}{(3 + j4\omega)(3 - j4\omega)} = \frac{(6 + 4\omega^2) - j5\omega}{9 + 16\omega^2}$$

Ao separar os termos, obtemos a forma Cartesiana final: $$\boxed{X(\omega) = \frac{6 + 4\omega^2}{9 + 16\omega^2} - j \frac{5\omega}{9 + 16\omega^2}}$$

A partir dessa expressão, você identifica facilmente as componentes: Parte Real: $$\boxed{X_r(\omega) = \frac{6 + 4\omega^2}{9 + 16\omega^2}}$$ Parte Imaginária: $$\boxed{X_i(\omega) = \frac{-5\omega}{9 + 16\omega^2}}$$

  • (b) Determinação da forma polar, módulo e ângulo
Para encontrar a representação polar, você deve converter o numerador e o denominador individualmente e, em seguida, aplicar as regras de divisão de números complexos (dividir os módulos e subtrair os ângulos):

$$X(\omega) = \frac{\sqrt{4 + \omega^2} e^{j \tan^{-1}(\omega/2)}}{\sqrt{9 + 16\omega^2} e^{j \tan^{-1}(4\omega/3)}}$$

A representação polar consolidada resulta em: $$\boxed{X(\omega) = \sqrt{\frac{4 + \omega^2}{9 + 16\omega^2}} e^{j [\tan^{-1}(\omega/2) - \tan^{-1}(4\omega/3)]}}$$

Dessa expressão, extraímos os parâmetros de magnitude e fase:

  • Módulo: $$\boxed{|X(\omega)| = \sqrt{\frac{4 + \omega^2}{9 + 16\omega^2}}}$$
  • Ângulo: $$\boxed{\angle X(\omega) = \tan^{-1} \left( \frac{\omega}{2} \right) - \tan^{-1} \left( \frac{4\omega}{3} \right)}$$

Logaritmo de Números Complexos2.2.2.9

Para que você possa avançar no domínio das ferramentas matemáticas deste capítulo, é fundamental compreender como os logaritmos se comportam no território complexo. Assim como na aritmética real, as propriedades fundamentais de logaritmos e exponenciais permanecem válidas, servindo de base para as manipulações que realizaremos em sinais e sistemas.

As identidades que você utilizará como ferramentas de cálculo são as seguintes:

  • Produto: $$\boxed{\log(z_1 z_2) = \log z_1 + \log z_2}$$
  • Divisão: $$\boxed{\log(z_1 / z_2) = \log z_1 - \log z_2}$$
  • Soma de Expoentes: $$\boxed{a^{(z_1 + z_2)} = a^{z_1} \times a^{z_2}}$$
  • Mudança de Base: $$\boxed{z^c = e^{c \ln z}} \quad \text{e} \quad \boxed{a^z = e^{z \ln a}}$$
A Natureza Multivalorada do Logaritmo2.2.2.9.1

Diferente do que você está acostumado nos números reais, o logaritmo de um número complexo não possui um valor único, mas sim um conjunto infinito de valores. Isso acontece devido à periodicidade do ângulo no plano complexo.

Se você representar $z$ na forma polar, deve lembrar que adicionar voltas completas ($2\pi k$) não altera a posição do ponto: $$z = r e^{j\theta} = r e^{j(\theta \pm 2\pi k)} \quad \text{para } k = 0, 1, 2, \dots$$

Ao aplicarmos o logaritmo natural ($\ln$) nessa expressão, você deve utilizar a seguinte fórmula geral:

$$\boxed{\ln z = \ln(r e^{j(\theta \pm 2\pi k)}) = \ln r \pm j(\theta + 2\pi k)} \quad k = 0, 1, 2, \dots$$

Valor Principal ($\text{Ln } z$)

O valor obtido quando você assume $k = 0$ é chamado de valor principal de $\ln z$. Para diferenciá-lo, costumamos representá-lo com a letra inicial maiúscula: $\text{Ln } z$.

Identidades Curiosas e a Unidade Imaginária2.2.2.9.2

Utilizando essa lógica, você pode calcular logaritmos que pareceriam "impossíveis" em calculadoras comuns, como o logaritmo de números negativos ou da própria unidade imaginária $j$.

Considere as seguintes relações fundamentais (onde o caso de $k = 0$ representa o valor principal):


Logaritmo de 1: $$\boxed{\ln 1 = \ln(1e^{\pm j2\pi k}) = \pm j2\pi k}$$ Logaritmo de -1: $$\boxed{\ln(-1) = \ln[1e^{\pm j\pi(2k + 1)}] = \pm j(2k + 1)\pi}$$ Logaritmo de j: $$\boxed{\ln j = \ln(e^{j\pi(1 \pm 4k)/2}) = j \frac{\pi(1 \pm 4k)}{2}}$$ Potência complexa $j^j$: $$\boxed{j^j = e^{j \ln j} = e^{-\pi(1 \pm 4k)/2}}$$


Um dos resultados mais surpreendentes da álgebra complexa é o valor de $j^j$. Embora envolva apenas termos imaginários, o resultado é um número puramente real. Para o valor principal ($k=0$), você encontrará $j^j = e^{-\pi/2} \approx 0,2078$.

Expansão em Frações Parciais2.3

Ao realizar a análise de sistemas lineares invariantes no tempo, você encontrará frequentemente funções que se apresentam como razões entre dois polinômios de uma variável específica, como $x$. Essas entidades matemáticas são denominadas funções racionais. Você pode descrever uma função racional $F(x)$ através da seguinte expressão geral:

$$F(x) = \frac{b_m x^m + b_{m-1} x^{m-1} + \dots + b_1 x + b_0}{x^n + a_{n-1} x^{n-1} + \dots + a_1 x + a_0}$$

Ou, de forma mais condensada:

$$F(x) = \frac{P(x)}{Q(x)}$$

Para facilitar o seu estudo, é fundamental que você saiba classificar essas funções: uma função racional é considerada imprópria se $m \geq n$ (o grau do numerador é maior ou igual ao do denominador) e própria se $m < n$. É importante destacar que uma função imprópria pode ser sempre decomposta na soma de um polinômio em $x$ e uma função própria.

Considere, como exemplo, a função abaixo:

$$F(x) = \frac{2x^3 + 9x^2 + 11x + 2}{x^2 + 4x + 3}$$

Como estamos lidando com uma função imprópria, o seu primeiro passo deve ser dividir o numerador pelo denominador até que o resto obtido possua um grau menor que o do denominador:

$$ \begin{array}{r|l} 2x^3 + 9x^2 + 11x + 2 & x^2 + 4x + 3 \\ \hline -(2x^3 + 8x^2 + 6x) & 2x + 1 \\ \hline x^2 + 5x + 2 & \\ -(x^2 + 4x + 3) & \\ \hline x - 1 & \end{array} $$

Dessa forma, você pode expressar $F(x)$ como a soma de um polinômio e uma função própria:

$$\boxed{F(x) = \underbrace{2x + 1}_{\text{polinômio em } x} + \underbrace{\frac{x - 1}{x^2 + 4x + 3}}_{\text{função própria}}}$$

Note que qualquer função própria pode ser expandida, posteriormente, em frações parciais.

Exemplo B.92.3.0.1

Neste exemplo, você aprenderá a realizar a expansão de uma função racional $F(x)$ em frações parciais utilizando o método de inspeção, também conhecido como método de resíduos ou de "esconder" o fator. Este procedimento é extremamente útil para simplificar expressões complexas em somas de termos mais simples.

Considere a função: $$F(x) = \frac{2x^2 + 9x - 11}{(x + 1)(x - 2)(x + 3)}$$

O seu objetivo é encontrar os coeficientes $k_1, k_2$ e $k_3$ para que a função seja escrita como: $$F(x) = \frac{k_1}{x + 1} + \frac{k_2}{x - 2} + \frac{k_3}{x + 3}$$


Procedimento Passo a Passo. Para determinar cada coeficiente de forma independente, você deve isolar o termo correspondente no denominador, "escondendo-o" na função original, e substituir a variável $x$ pela raiz desse termo.

  • Cálculo de $k_1$ (referente ao fator $x + 1$)
Para determinar $k_1$, você deve omitir o termo $(x + 1)$ do denominador de $F(x)$ e substituir $x$ por $-1$ na expressão restante:

$$k_1 = \left. \frac{2x^2 + 9x - 11}{(x - 2)(x + 3)} \right|_{x = -1}$$ $$k_1 = \frac{2(-1)^2 + 9(-1) - 11}{(-1 - 2)(-1 + 3)} = \frac{-18}{-6}$$ $$\boxed{k_1 = 3}$$

  • Cálculo de $k_2$ (referente ao fator $x - 2$)
De forma equivalente, para encontrar $k_2$, você deve esconder o fator $(x - 2)$ da função original e realizar a substituição de $x$ por $2$:

$$k_2 = \left. \frac{2x^2 + 9x - 11}{(x + 1)(x + 3)} \right|_{x = 2}$$ $$k_2 = \frac{8 + 18 - 11}{(2 + 1)(2 + 3)} = \frac{15}{15}$$ $$\boxed{k_2 = 1}$$

  • Cálculo de $k_3$ (referente ao fator $x + 3$)
Finalmente, para o coeficiente $k_3$, você deve ocultar o fator $(x + 3)$ e substituir $x$ por $-3$ na expressão:

$$k_3 = \left. \frac{2x^2 + 9x - 11}{(x + 1)(x - 2)} \right|_{x = -3}$$ $$k_3 = \frac{18 - 27 - 11}{(-3 + 1)(-3 - 2)} = \frac{-20}{10}$$ $$\boxed{k_3 = -2}$$

Resultado Final. Após calcular todos os coeficientes, você pode expressar a função racional original como a seguinte soma de frações parciais:

$$\boxed{F(x) = \frac{3}{x + 1} + \frac{1}{x - 2} - \frac{2}{x + 3}}$$

Questões2.4

Próximos Passos2.5